menina teimosa, insiste em cair. sinto te informar que dói quando me contradiz, quando faz de tudo prá me desmentir. não sabes, menina, que o mundo é assim? mentir prá sorrir, é o palhaço quem diz.
menina, tu falas demais de mim. dos meus amores e minhas saudades, das minhas dores e minhas farras, das minhas cores e minhas falhas. eu temo teu fim, por me manchar o rosto. eu temo teu início, por me marcar a alma. eu temo teu caminho, por me tirar a calma.
e assim, em caminhos cortados por minha mão, te deixo sair. conta também meu segredo: é a lágrima, não a pupila, a menina de meus olhos.
ficou pequeno e bobo, mas eu sou exatamente assim.
sábado, 28 de julho de 2007
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Tabuadeada
A mesa de jantar, um lugar para a comunhão familiar. Estavam sentados o pai, a mãe e as duas filhas. A mais velha já estava com 18 anos e frequentava uma universidade pública. A mais nova tinha 8 anos e estudava numa escola construtivista.
Como de costume, todos faziam o resumo de seu dia. O pai se lamentava do trabalho. Assim também fazia a mãe. A filha mais velha reclamava da desorganização da universidade. A filha mais nova fala com total empolgação o que tinha aprendido na sala de aula.
_ Então vamos testar seus conhecimentos! - disse a mãe para a criança. A filha mais velha soltou um riso de desdém e se serviu de sopa. O pai tomou um gole de café puro (e sem açúcar), olhou seriamente para a pequenina e disse:
_ Vou tomar a tabuada. Vamos, me diga, quanto é 2x2?
_ 4! respondeu a mais nova com firmeza. A mais velha olhava pra cima suspirando. A mãe resplandecia orgulho através dos olhos brilhantes. O pai mais uma vez:
_ Hum... 4x4?
_ hum.. er.. é...
] _ 16! Respondeu a filha mais velha. A mais nova ainda pensava. A mais velha agora fazia barulho enquanto tomava a sopa. A mãe lançou um olhar gelado para a filha de 18 anos.
_ 3x5?
_ 15! A filha mais nova respondeu.
_ 5x7? _ Er...bom... _ Trinta e...- disse a filha mais velha que logo voltou a sugar a sopa.
_ Ai, cala a boca! - gritou a filha mais nova para a irmã- Pai, manda outra.
_ Certo. E você - se dirigindo a filha mais velha- não atrapalhe!
_ Rum! - resmungou a filha mais velha que se divertia com a sopa.
_ Vamos lá... 5x8?
_ 5x8? 5x8... ai meu Deus! - aflita, a filha mais nova olhava para todos os lados. Observava os objetos ao redor abanando as mãos freneticamente. A mãe passava manteiga no pão francês. A filha mais velha tomava a sopa. Na mesa só se ouvia o tintilar doa talheres (a filha mais velha agora usava o prato de sopa como um instrumento de percussão), o pai olha para a esposa decepcionado:
_ Mulher, temos que tirar nossa filha desta escola. O que ensinam lá? Tornam nossas crianças incapazes. Veja, essa menina, com 8 anos de idade, não sabe a tabuada do 5 decorada! Isso é um absurdo. Eu, na idade dela, fazia contas muito mais complicadas. Do que adianta eu pagar 220 reais por mês e minha filha não saber a tabuada? Escola de vagabundo. Escola de burro. Eu não quero que minha filha se torne uma retardada! - A filha mais velha lambia o fundo do prato- Vou coloca-la numa escola tradicional! Essa sim é das boas... Na primeira semana ela vai saber até a raiz quadrada de 144.
_ Discordo!
Todos se assustaram. A mãe olhou largou o pão. O pai lança um olhar empertigado para a filha mais nova que estava de pé com o braço levantado. Ah, a mais velha ainda brincava com o prato de sopa.
_ Os seus 2640 reais anuais serão muito bem gastos com a minha educação!- a filha mais nova disse a frase com uma perfeita dicção. Todos estarrecidos ( inclusive a filha mais velha que finalmente terminou a sopa). A criança esperava um argumento, uma discussão, uma bronca!
_ Tsc! Mulher, me passa a manteiga!
Como de costume, todos faziam o resumo de seu dia. O pai se lamentava do trabalho. Assim também fazia a mãe. A filha mais velha reclamava da desorganização da universidade. A filha mais nova fala com total empolgação o que tinha aprendido na sala de aula.
_ Então vamos testar seus conhecimentos! - disse a mãe para a criança. A filha mais velha soltou um riso de desdém e se serviu de sopa. O pai tomou um gole de café puro (e sem açúcar), olhou seriamente para a pequenina e disse:
_ Vou tomar a tabuada. Vamos, me diga, quanto é 2x2?
_ 4! respondeu a mais nova com firmeza. A mais velha olhava pra cima suspirando. A mãe resplandecia orgulho através dos olhos brilhantes. O pai mais uma vez:
_ Hum... 4x4?
_ hum.. er.. é...
] _ 16! Respondeu a filha mais velha. A mais nova ainda pensava. A mais velha agora fazia barulho enquanto tomava a sopa. A mãe lançou um olhar gelado para a filha de 18 anos.
_ 3x5?
_ 15! A filha mais nova respondeu.
_ 5x7? _ Er...bom... _ Trinta e...- disse a filha mais velha que logo voltou a sugar a sopa.
_ Ai, cala a boca! - gritou a filha mais nova para a irmã- Pai, manda outra.
_ Certo. E você - se dirigindo a filha mais velha- não atrapalhe!
_ Rum! - resmungou a filha mais velha que se divertia com a sopa.
_ Vamos lá... 5x8?
_ 5x8? 5x8... ai meu Deus! - aflita, a filha mais nova olhava para todos os lados. Observava os objetos ao redor abanando as mãos freneticamente. A mãe passava manteiga no pão francês. A filha mais velha tomava a sopa. Na mesa só se ouvia o tintilar doa talheres (a filha mais velha agora usava o prato de sopa como um instrumento de percussão), o pai olha para a esposa decepcionado:
_ Mulher, temos que tirar nossa filha desta escola. O que ensinam lá? Tornam nossas crianças incapazes. Veja, essa menina, com 8 anos de idade, não sabe a tabuada do 5 decorada! Isso é um absurdo. Eu, na idade dela, fazia contas muito mais complicadas. Do que adianta eu pagar 220 reais por mês e minha filha não saber a tabuada? Escola de vagabundo. Escola de burro. Eu não quero que minha filha se torne uma retardada! - A filha mais velha lambia o fundo do prato- Vou coloca-la numa escola tradicional! Essa sim é das boas... Na primeira semana ela vai saber até a raiz quadrada de 144.
_ Discordo!
Todos se assustaram. A mãe olhou largou o pão. O pai lança um olhar empertigado para a filha mais nova que estava de pé com o braço levantado. Ah, a mais velha ainda brincava com o prato de sopa.
_ Os seus 2640 reais anuais serão muito bem gastos com a minha educação!- a filha mais nova disse a frase com uma perfeita dicção. Todos estarrecidos ( inclusive a filha mais velha que finalmente terminou a sopa). A criança esperava um argumento, uma discussão, uma bronca!
_ Tsc! Mulher, me passa a manteiga!
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Produção de textos!
Como eu PERDI meu texto da aula de Ivone, e não consegui reproduzir, eu fiz outro, no mesmo tema. Ta aí:
Eita saudade da balbônica!
E aquela dorzinha aguda que brota no seio da garganta, como que se dissesse "me deixe sair daqui!", me diz se parece de verdade com a pressão no peito, empurrando de dentro pra fora, latejando a cada foto revista, a cada odor familiar aspirado, e às vistas das lembranças de sempre, seja na forma de um cigarro, de um copo, de um sorriso ou uma gargalhada, as gotículas de lágrima saltando fora dos olhos, pra depois a gente perceber que pra sempre o choro vai ser a dor da garganta, a batida do peito e a saudade de quem se ama, na forma líquida.
Eita saudade da balbônica!
E aquela dorzinha aguda que brota no seio da garganta, como que se dissesse "me deixe sair daqui!", me diz se parece de verdade com a pressão no peito, empurrando de dentro pra fora, latejando a cada foto revista, a cada odor familiar aspirado, e às vistas das lembranças de sempre, seja na forma de um cigarro, de um copo, de um sorriso ou uma gargalhada, as gotículas de lágrima saltando fora dos olhos, pra depois a gente perceber que pra sempre o choro vai ser a dor da garganta, a batida do peito e a saudade de quem se ama, na forma líquida.
Daniel Ramalho
domingo, 8 de julho de 2007
Gente,o bom Dan deu a idéia de postarmos nossos textinhos da aula de produção de textos aqui :)
É certo que os textos estarão improvisados, mas é isso aí, nossa arte mais bruta hahahahaha
Esperamos o de vocês.
Impressão á flor dos olhos.
Um dia, folheando uma revista, achei uma foto de uma paisagem deserta, sem muitas cores. O ambiente natural não chamava a atenção dos olhos, mas trazia várias pessoas que aparentavam ser desconhecidas entre si e todas com a expressão da face muito forte e algo interessante: todas estavam chorando.
Havia uma criança sentada sozinha, uma mulher com um retrato na mão, um homem muito machucado, uma garota acenando, um adolescente sorrindo... E de todos brotavam lágrimas!
Fiquei bastante tempo fitando aquela foto intrigante e percebi uma lágrima cair de mim, talvez de comoção.
A foto era tão simples, mas queria dizer tanta coisa, que a comoção excedeu ao meu controle, e quantas diferentes emoções também excediam ao controle daquelas pessoas!
E comecei a pensar nas possibilidades de vários sentimentos e na variedade de rostos que poderiam estar ali, como o meu.
Gabriela Arruda.
É certo que os textos estarão improvisados, mas é isso aí, nossa arte mais bruta hahahahaha
Esperamos o de vocês.
Impressão á flor dos olhos.
Um dia, folheando uma revista, achei uma foto de uma paisagem deserta, sem muitas cores. O ambiente natural não chamava a atenção dos olhos, mas trazia várias pessoas que aparentavam ser desconhecidas entre si e todas com a expressão da face muito forte e algo interessante: todas estavam chorando.
Havia uma criança sentada sozinha, uma mulher com um retrato na mão, um homem muito machucado, uma garota acenando, um adolescente sorrindo... E de todos brotavam lágrimas!
Fiquei bastante tempo fitando aquela foto intrigante e percebi uma lágrima cair de mim, talvez de comoção.
A foto era tão simples, mas queria dizer tanta coisa, que a comoção excedeu ao meu controle, e quantas diferentes emoções também excediam ao controle daquelas pessoas!
E comecei a pensar nas possibilidades de vários sentimentos e na variedade de rostos que poderiam estar ali, como o meu.
Gabriela Arruda.
terça-feira, 26 de junho de 2007
prima primeira
disseram que a gente tem que começar por algum lugar. bem, aqui estamos...
já começamos levando lancheira e lápis de cor prá tia cuidar de nós, ou um famoso caderno de matérias com diversos desenhos atrás, que falavam muito mais que a tal química. agora corremos apenas o risco de chegar naquele lugar de gente grande sentindo falta de tudo isso.
porque a universidade é mesmo o maior começo. não o começo do fim, como todo mundo diz, isso é nascer. mas é o começo das perguntas, porque as respostas tendem a mudar o tempo todo.
um lugar prá velhas perguntas... noemtanto, sem respostas.
[e se alguém me perguntar onde estão as maiúsculas, respondo logo que amo as letrinhas todas bonitinhas, todas iguaizinhas.]
já começamos levando lancheira e lápis de cor prá tia cuidar de nós, ou um famoso caderno de matérias com diversos desenhos atrás, que falavam muito mais que a tal química. agora corremos apenas o risco de chegar naquele lugar de gente grande sentindo falta de tudo isso.
porque a universidade é mesmo o maior começo. não o começo do fim, como todo mundo diz, isso é nascer. mas é o começo das perguntas, porque as respostas tendem a mudar o tempo todo.
um lugar prá velhas perguntas... noemtanto, sem respostas.
[e se alguém me perguntar onde estão as maiúsculas, respondo logo que amo as letrinhas todas bonitinhas, todas iguaizinhas.]
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